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以静制动的力量

中葡对照版 2018年第5期 Vinicius Tamamoto 2018-11-08

差不多一年前我开始练习太极拳。在此之前,我对这项中国传统武术的了解基本就是在电视节目里看到的场景:中国老年人在公园或广场上比划着安逸、缓慢的动作。于是,我头脑里便留下这样一个印象:“这种锻炼会让老年人心情舒畅,而且还有延年益寿的功效。”对于很多人来说,太极拳也成为了老年人运动的同义词。当29岁的我跟别人说起自己在练太极拳时,往往会引来诧异的目光:“这么年轻就练太极拳?”在中国,太极拳的确是深受老年人喜爱的运动,但请你相信我:这项传统的武术也是我们现代人所亟需的,对于快节奏生活引起的焦虑,太极拳无疑是一剂良药。

太极不容易

其实,练习太极是个漫长而辛苦的过程。最开始的几节课上,当老学员们练习成套动作时,我所做的只是站在那儿,双手平举在胸前,仿佛环抱着一个无形的球一样。这是一个气功的基础姿势,称为“站桩”,它既能调动全身的气机,促进气血的流通,也是练习其他动作的基本功。师父指导说:“将头摆正,后背挺直,想象你的肚脐和双腿形成一个三角形。在这里保持。”要保持这个姿势并非易事:脑子会胡思乱想,后背在提抗议,手臂逐渐下垂,双腿也开始发抖。然而,气功是习练太极拳的基础,没有内功,太极真的就变成简单的体操了。经过一段时间,动作逐渐出现变化,难度也开始增加。令人惊讶的是,一些看起来不起眼的动作其实挑战还是蛮大的。

几个月的训练以后,我终于觉得自己的身体像一棵大树了:头是树冠,手臂是枝杈,脚是牢牢扎在地上的树根。这时,训练的目的转为达到真气的自如运行,即实现气贯周身的状态,让能量在四肢和躯干之间自由流动。想要达到那种静定的状态是一项艰巨的任务,我的师父花了两年时间,而我仅仅是刚刚摸到点门道而已。师父解释说:“我们通常能够控制身体的动作:当我们要跌倒时,会自动采取保护措施;愤怒的人在战斗中会格外勇猛,这些都是我们身体下意识的反应。但是通过气功,我们可以学会用意识去控制气,也就是在体内运行的能量。”这也是那些看似瘦弱的武术大师们力量的源泉。 

无声的诗

尽管从“形”的角度,太极拳法是模拟打斗的动作,但如今练太极的目的并不在于格斗,而重点是学习掌握行气运动的本领。对于西方文化背景的人来说,这个目的听起来确实过于抽象了。其实,在实践当中,就是通过锻炼来加强有助于身体良好运作的机制。比如通过伸展的力量,来锻炼肌腱、关节和韧带等。太极拳的益处是有大量科学依据证明的。2013年,一篇发表在《欧洲预防心脏病学杂志》上的文章指出,太极拳可以增强老年妇女的血管舒缩能力,这对心脏健康是至关重要的。

太极拳不仅是体育活动,也是动态的诗歌。青龙出水、白猿献果、白鹤亮翅等便是太极动作通过身体展现的自然场景。当我缓慢、笨拙地重复这些动作时,我的思绪被这些奇妙的生灵带到了远离城市喧嚣的神话世界当中。伴随着柔和的动作,你的意念早已摆脱了俗世的烦扰。

宁静的拳式与纷乱的世界形成鲜明的对立:这里没有健身房里的活力四射,没有尊巴舞的激情爆发,也不需要瑜伽的身体力量和柔韧性。在我练习太极的那段时间里,不少报名参加课程的人中只有一位坚持到了第三次课。同班的十几位老学员则都是习练了一段时间,在日常生活中也全是心气平和。这或许就是太极拳给我们的启示:以静待动似乎是与这个时代所要求的紧迫性相左的,这其实是现代人需要克服的一个障碍。我不禁产生了这样的联想:波兰社会学家齐格蒙·鲍曼(1925-2017)是不是也练过太极拳呢?他提出了“流动的现代性”这个观念,其中他用水的物理状态来比喻现代性:流动、不可掌控、无法长时间保持一种形状。这种脆弱性可以反映在当今的社会关系中,我们已经不习惯等待,我们急切地期待结果,对将要发生的事情越来越焦虑。而太极拳中所包含的哲学恰恰与之相反,练习者必须以静制动,以柔克刚。这位学者曾说过:“我们生活在一个流动的时代,没有什么能够长久保持不变。”尊敬的鲍曼先生,我应对的办法就是太极拳。

对立互补

 “太极”一词在三千多年前的《易经》中就出现了,是中国古代最具代表性的哲学思想之一,也是道家学说的起源。道家主张道法自然,强调根据自然规则实现精神和物质生活的平衡。根据道家思想,世间万物均由“阴”“阳”这两种相互对立又互为补充的元素组成,阴阳变化之理便是“道”,即宇宙运行的法则。在自然界中,阴阳的交互趋于达到一种和谐的状态。柔和、宁静属阴,力度、灵动则属阳,阴阳的调和可以给人带来健康与长寿。

太极拳的摇篮

传说太极拳是15世纪由道士张三丰所创。相传张三丰武功极高,是一个类似超级英雄的人物,他通过观察鹰蛇相斗发明了太极拳。广为史学专家接受的版本则认为太极拳起源于17世纪的河南省温县。明末武庠生陈王廷自幼习武,对道家经典也颇有研究,晚年归田返回家乡陈家沟,在潜心钻研的基础上创编了这种新的拳法,并逐步流传开来。从那时起,温县陈家沟出现了众多太极拳教习学校,这座小村也成了全世界太极拳习练者的“朝圣”之地。

五派同宗

太极拳在历史上衍生出五种主要的流派,你可以按照自己的喜好选择学习。虽然都是太极拳,但五派在身法和劲道等特点方面又各不相同。像我的师父一样,不少太极教练在授课时会博采几家之长。如果你有意练习太极拳,我想给出的一则建议是:找一位重视内功的师父,而不是只让你重复外在的架势套路,否则,练太极跟跳舞也就没什么实质区别了。

说过这些以后,让我们来看看这五个太极拳流派吧。

陈氏

是历史最悠久的一派,特点是刚柔相济、柔中寓刚,包括一些窜蹦跳跃、闪展腾挪的动作。

杨氏

动作和顺舒展,练习起来不是很困难,因此也成为在世界上流传最广的太极流派。

吴氏

与其他流派相比,吴氏太极的不同之处在于强调身形的延展,身体会有前后屈伸的动作,而不是一味保持中正。

孙氏

融会贯通多家武术拳法之长,孙氏太极强调敏捷性和自卫性。

郝氏

特点是动作舒缓平稳,强调平衡和内功心法。

A leveza que confronta o caos

Chinese-Portuguese No.5 2018 Vinicius Tamamoto2018-11-08

Comecei a desbravar o tai chi chuan há quase um ano. O que eu sabia antes sobre a milenar arte marcial chinesa consistia basicamente em assistir a idosos se movendo muito lentamente em parques e praças públicas da China. Lembro-me de ver e rever a cena pela televisão de tempos em tempos naquele longevo programa de sexta a noite desde a infância. O viés era sempre o mesmo: “olhem só como essa ginástica deixa os velhinhos sorridentes e um pouco mais longe da morte”. A propaganda vingou: para a maioria das pessoas, o tai chi anda lado a lado com a velhice. Aos 29, já recebi cara de espanto ao dizer que tenho praticado. “Tão novo?” Sim, é verdade que na China a arte é muito popular entre os mais velhos, mas confie em mim: as benesses dos movimentos ancestrais são o antídoto perfeito para aliviar as inquietudes causadas pela velocidade do nosso tempo.

Não está sendo fácil

A jornada é longa e dolorosa, confesso. Nas primeiras aulas, enquanto os veteranos faziam as sequências de movimentos, tudo o que fiz foi ficar em pé com as mãos na altura do peito como se estivesse segurando uma bola. É um exercício de 气功  qìgōng (ou chi kung), que busca estimular e fortalecer a chamada energia interna, e que serve de base para as formas. “Alinhe a cabeça, mantenha a espinha ereta e imagine um triângulo ligando o umbigo aos pés”, ensinou minha professora. “E fique”. Não é exatamente prazeroso manter o corpo nessa posição. A mente vagueia, a coluna reclama, os braços cedem e os joelhos amolecem, mas o qigong é a essência da prática: sem o trabalho interno, o tai chi vira uma simples ginástica. Com o tempo, as posições vão variando e as dificuldades aumentando. É surpreendentemente contraditório que movimentos quase imperceptíveis possam ser tão desafiadores.

Depois de meses de prática, só recentemente comecei a sentir meu corpo como árvore. A cabeça é a copa, os braços são os galhos e os pés, a raiz fincada no chão. Nesse momento, o objetivo é alcançar uma movimentação espontânea, quando o que chamamos de energia se rebela dentro do corpo e pode ser deslocada através dos membros e tronco durante as sequências de movimentos. Atingir o estágio de torpor é das tarefas mais árduas. Para minha professora, levou dois anos. Eu ainda me sinto bem longe do feito. “Nós estamos condicionados a comandar o movimento”, ela explica. “Se vamos cair, o corpo todo se liga para se proteger. Alguém muito furioso em uma briga também se torna muito mais forte. Isso acontece inconscientemente, mas por meio do qigong a gente aprende a usar a energia de forma consciente.” É daí que nasce a força dos esguios lutadores de artes marciais.

Poesia muda

A finalidade do tai chi hoje, no entanto, não é a luta. As sequências de movimentos, chamadas de “formas”, são simulações de golpes, mas aprender a mover a energia interna é o que realmente importa. O objetivo é um tanto abstrato para a cultura ocidental. Na prática, o que se faz é fortalecer os mecanismos que ajudam o corpo a funcionar bem. Usa-se uma força de expansão para exercitar, por exemplo, tendões, articulações e ligamentos. Há inúmeras evidências científicas dos benefícios da atividade. Em 2013, um artigo publicado no European Journal of Preventive Cardiology indicou que o tai chi melhorou a resistência arterial de mulheres idosas, o que é essencial para a saúde do coração.

Para além da atividade física, o tai chi é também poesia em movimento. O despertar do dragão, o macaco que oferece a fruta e o alisar da cauda do pássaro são algumas das cenas que o corpo reproduz. Enquanto sigo a sequência vagarosamente, sou seduzido por seres fantásticos que habitam um universo mitológico bem longe do centro da metrópole. A mente desliga do mundo de preocupações ao mesmo tempo em que se mantém presente na morosidade dos gestos.

A pureza da pose faz contraposição ao caos. Aqui não há o dinamismo das academias, nem a explosão de uma aula de zumba. Tampouco a força física e a elasticidade plástica exigidas pelo yoga. Durante o período em que estudei, vi muitos interessados procurarem a prática, mas apenas um conseguiu passar da terceira aula. Os cerca de dez colegas de turma que já praticavam antes de mim seguem a jornada individual pacientemente. É aí que está a revelação do tai chi. A persistência na inércia vai contra o imediatismo do nosso tempo, uma barreira e tanto a ser vencida. Em um devaneio, fiquei pensando se o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925–2017) não gostaria de ter experimentado uma aula de tai chi (se é que não o fez). No conceito de modernidade líquida, cunhado por ele, a metáfora do estado físico da água serve para ilustrar a contemporaneidade: fluida, escorregadia e incapaz de manter a forma por muito tempo. Essa fragilidade se reflete, por exemplo, nas relações sociais. Não sabemos esperar, vivemos ávidos por resultados e estamos cada vez mais ansiosos pelo que virá. A filosofia contida no tai chi ensina exatamente o oposto. Na arte, é preciso vencer o movimento por meio da quietude, a dureza por meio da suavidade e a rapidez por meio da lentidão, num intenso exercício de presença e constância. “Vivemos tempos líquidos, nada é para durar”, refletiu o acadêmico. O meu remédio, caro Bauman, tem sido o tai chi.  

Oposição complementar

A primeira referência escrita do termo tai chi apareceu há mais de três mil anos no Livro das Mutações. Os princípios da arte são baseados na antiga filosofia chinesa do taoismo, que enfatiza o equilíbrio natural e a necessidade de viver em harmonia espiritual e física com os padrões da natureza. Segundo o pensamento taoista, todas as coisas são compostas de dois elementos opostos e complementares: o yin e yang, que agem de forma a garantir o perpétuo equilíbrio entre tudo. É assim na natureza, que tende a um estado natural de harmonia. Padrões relacionados à suavidade estão associados ao yin, enquanto a força e a rigidez, ao yang. O que (ou quem) está em harmonia tem paz e longevidade. 

O berço do tai chi

Os relatos românticos do nascimento do tai chi dão conta de que tenha surgido no século 15, com a figura do monge taoista Zhang Shanfeng. Acreditava-se que ele fosse uma espécie de super-herói, por causa de sua força, e que teria criado a prática ao observar a luta entre uma águia e uma serpente. Historicamente, a versão mais aceita é de que o tai chi tenha surgido por volta do século 17 em Wenxian, na província de Henan. Chen Wangting, um guarda real aposentado, teria sido atraído pelos ensinamentos taoistas. Mudou-se para Chenjiagou, local onde nasceu, para levar uma vida simples. Ali, praticou, desenvolveu e ensinou a arte marcial. Desde então, a cidade virou um lugar de peregrinação para praticantes de tai chi do mundo inteiro. 

 Cinco estilos, um propósito

O tai chi se divide em cinco estilos diferentes e o aprendiz pode escolher qual mais se encaixa ao seu gosto. Apesar de todos terem o mesmo objetivo, as formas e a maneira de executar os movimentos variam. Assim como a minha, alguns professores podem mesclar as variações. Se eu fosse aconselhar um amigo que está procurando seu caminho na arte, diria para procurar um mestre que leve o qigong a sério e que não o faça apenas repetir sequências – uma aula de dança daria conta disso, afinal. Pitaco dado, conheça abaixo os estilos.  

Chen

O estilo mais antigo é caracterizado por mesclar movimentos lentos com explosões, que incluem saltos, chutes e golpes.

Yang

Por ser composta de movimentos lentos e fluidos, a versão não é tão difícil de ser executada e por isso é a mais praticada no mundo.

Wu

O estilo dá ênfase à extensão do corpo, que se inclina para frente e para trás em vez de permanecer centrado como acontece nas demais versões.

 Sun

Combinando outros estilos de artes marciais, a variação enfatiza a agilidade e a auto-defesa.

 Hao

O estilo se caracteriza pelos movimentos lentos, com ênfase no equilíbrio e no trabalho da energia interna.

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