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清明:悲莫悲兮伤别离

中葡对照版 2017年第2期 Sergio Maduro 2017-05-09

圣保罗市中心地区一家出售东方物品的商店里,商品可谓应有尽有,在那里甚至还可以买到阴间的冥币。据我所知,在所有向逝者供奉的物品当中,最与东方冥币相类似的恐怕只有一个古希腊、古罗马的习俗:将一枚硬币放入逝者的口中,这枚硬币被称为“卡戎的摆渡钱”。卡戎是冥河上的船夫,他负责把亡魂从冥河生者的一岸渡到亡者的另一边,逝者口中放的这枚硬币就是付给卡戎的船钱。

我从未见过什么地方出售这种摆渡钱,但清明节期间祭奠亡灵使用的那些几可乱真的冥币,喜欢烧钱的人却很容易就能在圣保罗的中国店铺里买到。其实,烧纸钱只是中国人纪念逝者传统方式的一种。

各个民族的人们都有自己祭拜亡灵的方式比如众所周知的墨西哥鬼节112日),人们会用五彩缤纷的装饰,各式各样的食物骷髅形象来庆祝这个逝者访问生者的特殊日子。天主教徒们也在同一天祭奠亡灵,他们在逝去亲人的墓前献上鲜花、点上蜡烛,为他们祈祷。

对于中国人来说,尽管年轻一代对于传统的丧葬礼仪越来越陌生,那些缅怀逝者的习俗深深地扎根于中国文化中。

追根溯源

传说春秋战国时代,晋国公子重耳政治原因在外流亡19,在那期间,他的好朋友介子推一直陪伴在其左右。饥寒交迫当中,为了救饿晕的重耳,介子推甚至从自己腿上割下一块肉来给他充饥。

终于有一天,重耳回国做了君主,对与他同甘共苦的臣子大加封赏,唯独忘了介子推。当经人提醒忆起往事时,心怀不安的重耳便去寻找介子推,这才发现他已经带着年迈的母亲隐居到山林之中。重耳派人满山搜索,遍寻不见,万般无奈下,只好命令放火烧山,希望能以此逼出介子推。然而,大火却将介子推母子烧死在一棵大柳树下。重耳后悔难当,厚葬了介子推,并晓谕全国,将每年的这一天定为清明节,禁忌烟火,家家户户只能吃寒食。那棵被烧死的柳树,来年奇迹般的发出了新芽。

清明期间吃寒食的习惯流传至今,除此以外,这个时节最具特色的食物就是青团,这是一种用糯米粉混合草汁做成的时令点心馅料通常为甜甜的红豆沙。清明的另一个习俗是在自家门上挂柳枝,或将柳条编成圈戴在头上驱恶辟邪。

春天的缅怀

在中国,清明节并不仅仅限于悼念逝者。尽管风俗习惯因地区和民族而不同,但清明对于全体中国人来说都是一个重要的日子,并成为公众假期公历的日期通常在44日或5日。

总的来说,主要活动是家聚在一起去为逝去的亲人扫墓,供奉祭品,祭奠祖先、缅怀先人。可以说,清明是中国除春节之外最重要的节日,包含了诸多的文化元素。

清明这个节气在两千多年前的中国农历中就已出现,清明这个词的本义是清澈、明亮,显示了节气所处的初春时节,白天变长光线充足,世间万物在蛰伏了一个漫长的冬季后开始苏醒标志着耕种期的开始。因此,清明节同时也是庆祝新一轮生命开始的日子,草木回绿、天气暖、鲜花盛开,正是踏青游园的好时节。清明节悲欢共存,既寄托着对亡人的哀思,又饱含了对生命的憧憬;既为了祭拜逝者,又为未来的生命播下新的种子。

中华孝

为真正理解清明的含义,我们需要首先弄懂中华文化中的特殊意思。这是诠释中华文化中最重要美德之一的词汇它代表了一个优秀的儿子、一个尽职的继承人、一个善良的年轻人对其父母、长辈的责任。是儒家思想推崇的理念指社会要求子女对父母应尽的义务,包括尊敬、关爱、赡养老人和长辈等。

在汉语中字是上下结构,字底下一个,意思是一位年迈的老人受到子的赡养照顾。这个汉字中蕴含各种责任,包括儿女能为年老体弱的父母提供的最大物质支持以及通过看望和照顾等形式所给予的精神关照。即便在父母离世后,这种责任仍然继续存在,表现的形式有给本家姓氏增光保护祭扫祖坟,以感谢父辈的养育之恩。

这些道德传统在现代中国社会逐渐出现了一些松动如今需要通过法律条文来规定。几年以前,针对一些抛弃父母的情况,中国出台法律规定子女常回家看看的义务不过,仍在文化中占有非常重要的地位,而且已深深地植根中华传统当中。早在公元732年的唐朝,为了抑制当时过分复杂的丧葬仪式,朝廷曾下令对先人的祭祀活动每年只在清明节举行一次。

祭扫风俗

亲人去世后,举行隆重的葬礼、选择风水宝地安葬并祭拜,这是子女对父母表达无尽感激之情的方式。香港等一些大城市,对墓地的巨大需求带热了丧葬服务市场,一墓难求的情况并不少见,每平方米墓地的均价有的甚至超过了豪华公寓的价格。由此也形成了一个骨灰格位的租赁市场,解决在购得合适墓地之前存放亲人骨灰的需求。近年来,社会上也出现了网上墓地,墓穴都是虚拟的。这种墓地不仅经济、实用,而且也更为环保。在这种墓地中祭奠逝者的各种仪式也全部都是网上虚拟进行的。

清明节在新中国成立后并没有被确定为公众假期,但为了在全球化进程中保护自身的文化传统,中国政府在2008正式将清明节定为法定假期。每逢这个时节,全国各地哪怕是最偏远的地区,家家户户都会去扫墓与逝去的亲人说说话,向其奉上祭品,然后把祭品烧掉,以这种方式给那些已经不在身边的亲人送去他们需要的物品,就好像他们还活着一样。

人提供的各种生活用品一般都是用纸糊的,祭扫的人们将这些物品焚化,是象征性地把它们送到阴间的一种方式,故去的亲人在另一个世界也能享用。扫墓时,人们会带着祭品、食物、鲜花、香烛纸钱,一些墓地会提供焚化炉,解决大量焚烧祭品的需求。

上坟全家会衣着整洁地站在墓前鞠躬以表敬意,与逝者说话并奉上祭品。通常还会在墓前摆上饭菜,表示他们没有忘记逝去的亲人,那碗着三炷香的米饭便是敬献给先人的。清明节,其实也是亲戚家人通过这种源远流长的祭祀仪式而团聚的一次机会。

焚烧祭品

为使逝去的亲人在另一个世界中生活得更加舒适,人们在祭拜时会向他们赠送礼物,其中包括衣服、金钱以及人们认为逝者在另外那个世界过上理想或富足生活所应拥有的一切物品,当然都是纸制的复制品金条、童男童女、佣人宠物、豪宅、机票、家用电器、汽车、烟酒、丰盛的餐食焚烧的物品当中有时还能看到纸糊的奢侈品古驰和路易威登的包包,甚至苹果平板电脑

人们还会向空中抛洒彩纸,祈求祝福有人会种上一棵树,有人会放风筝晚上还会把灯笼拴在风筝上,形成一道美丽的风景,让人想起天上的星星

当今社会中,由于好多人外地工作,或者在大城市生活的人工作繁忙,造成该去扫墓却无法成行,那么就会别的家人代为完成。如果逝者的家人或朋友无法亲自在清明扫墓,还可以请服务公司代劳。这种情况下,根据甲方要求,乙方还可以利用现代技术把扫墓的过程拍成照片或视频,甚至能即时在墓前接通电话,使甲方能和逝者说话。当然这一切都需要用现实社会的真钱支付费用。

Qingming: cultivar a saudade, celebrar a vida

Chinese-Portuguese No.2 2017 Sergio Maduro2017-05-10

No estoque de uma mercearia de produtos orientais, na região central de São Paulo, pode-se encontrar de tudo à venda, até dinheiro “do mundo dos mortos”. De todas as oferendas aos defuntos, parecidas com essa, só consigo me lembrar do antigo costume greco-romano de colocar uma moedinha na boca dos finados. Chamava-se “óbolo de Caronte”, um trocadinho para o falecido pagar o barqueiro Caronte, encarregado de levar as almas de uma margem do rio Aqueronte – a margem dos vivos – até a outra, a margem dos mortos.

Nunca vi um óbolo desses à venda, mas réplicas de cédulas, usadas nas cerimônias do 清明节Qīngmíng Jié, estão ali na mercearia paulistana, para quem quiser literalmente queimar dinheiro. Aliás, essa é uma respeitável maneira chinesa de homenagear os entes que já se foram.

Todos os povos têm uma forma de cultuar seus mortos. São conhecidos, por exemplo, os rituais mexicanos do Día de Muertos (2 de novembro), que trazem cores, comidas e caveiras, para festejar a visita especial que os mortos fazem aos vivos nesse dia. Os católicos também celebram na mesma data o Dia de Finados, quando homenageiam seus entes queridos, levando flores ao cemitério, acendendo velas e fazendo orações.

Entre os chineses, embora as novas gerações estranhem cada vez mais os costumes funerários tradicionais, os rituais em torno da morte estão entranhados na cultura. 

Exumando as origens

Conta a lenda que um príncipe passou 19 anos no exílio. Todo o tempo, ele esteve acompanhado por seu grande amigo, Jie Zitui. Certa vez, acossados pela fome, Zitui cortou a carne de sua própria coxa para alimentar o príncipe.

Mas um dia o príncipe voltou do exílio e se tornou rei. Uma vez no trono, esqueceu-se de Jie Zitui, que decidiu isolar-se na floresta da montanha, acompanhado de sua mãe idosa. Ao lembrar-se do amigo, o rei, inconformado, mandou buscar Jie Zitui, que conseguiu não ser encontrado. Então o rei ordenou que ateassem fogo à floresta para forçar Jie a sair de seu esconderijo. Mas o fogo acabou por matar Jie e sua mãe sob um salgueiro, também devastado. Mais tarde, no entanto, aquela árvore renasceu milagrosamente. Arrependido, o rei cuidou da sepultura de Jie e, ordenou que todos os anos, na mesma época, se celebrasse o Qingming Jie, período em que não se deveria acender fogo e em que todas as pessoas se alimentariam com comida fria.

O costume de consumir alimentos frios durante o Qingming permanece até hoje. Além das comidas frias, o quitute típico dessa celebração é o 青团 qīngtuán, uma espécie de bolinho verde feito com farinha de arroz e verduras, recheado com doce de feijão vermelho ou preto. Outro costume nessa data é colocar ramos de salgueiro na porta de casa ou carregar um ramo consigo para afastar os maus espíritos. 

Reverência e primavera

O Qingming é mais que o ritual do dia dos mortos na China. As práticas ligadas a essa celebração variam conforme a região e o grupo étnico, mas todo chinês tem alguma ligação com a data, que é feriado nacional, previsto no calendário lunissolar. Geralmente, cai no dia 4 ou 5 de abril do calendário gregoriano.

Grosso modo, é o dia em que a família se reúne, e todos vão ao cemitério limpar os túmulos de seus parentes falecidos, presenteá-los e reverenciá-los; não é uma comemoração, mas um dia para lembrar e render homenagens aos mortos. É uma das datas mais importantes da China e incorpora uma série de elementos culturais.

O nome Qingming é composto pelas palavrasqīng (claro) emíng (brilhante), uma referência à época do festival, no início da primavera, quando os dias se tornam mais longos, cheios de luz, e a natureza começa a despertar, depois de uma hibernação invernal. O Qingming está marcado há mais de 2 mil anos no calendário agrícola, e marca o início da época do cultivo. Por isso, paradoxalmente, é também uma celebração da vida, da volta do verde às plantas, das temperaturas amenas, das flores e da frequência aos parques.

O assim chamado festival Qingming expressa uma combinação de tristeza e felicidade, a renovação do luto e da vida, é o momento de reverenciar os que se foram e de semear o novo que está por vir. 

A virtude do xiào

Para compreender bem o significado do Qingming é preciso entender antes o particular significado dexiào  entre os chineses. Trata-se de uma palavra que traduz uma das virtudes mais prezadas da cultura chinesa. Esse termo expressa a responsabilidade que um bom filho, um bom descendente e um bom jovem deve ter em relação a seus pais e aos mais velhos. Xiào, um conceito desenvolvido pelo confucianismo, é, portanto, um misto de “devoção filial” e “cuidado, assistência e reverência para com os mais velhos”.

O ideograma xiào une a noção de lǎo (velho, idoso) comzǐ  (jovem, filho), passando a ideia de um velho amparado por um jovem. Essas obrigações, embutidas no significado do ideograma e que enfeixam apoio material (o máximo que um filho pode oferecer) e emocional (visitas e cuidados), voltados para um ser debilitado pela idade, estendem-se para além da morte do idoso, implicando no dever de honrar para sempre o nome da família e de preservar sua sepultura, rendendo homenagens como forma de gratidão pelos sacrifícios envolvidos na criação dos mais jovens.

Pouco a pouco, esses conceitos vêm sofrendo uma “flexibilização” na China moderna, algumas vezes sob a forma de um “amor filial por disposição de lei”, como o dever legal de visitar os pais, estipulado há poucos anos, dado o abandono de alguns idosos pelos filhos. Mas o xiào continua importante e tem raízes ancestrais na cultura chinesa tradicional. Basta dizer que, em 732 d.C., na dinastia Tang, com o intuito de conter as excessivas honras fúnebres, determinou-se que o culto aos ancestrais só aconteceria uma vez ao ano, durante o Qingming.  

Honrando a memória

Essa eterna gratidão é expressa, depois da morte, por um funeral honroso e um lugar agradável para depositar os restos mortais e prestar as homenagens. Nos grandes centros, como Hong Kong, a enorme procura por sepulturas aqueceu o mercado de cremação e de nichos cinerários (os columbários), procurados por milhares de pessoas.         Foi uma verdadeira bolha imobiliária funerária nas grandes cidades, com o metro quadrado de algumas sepulturas valendo mais que o de um apartamento de luxo, o que gerou um mercado alternativo de aluguel de nichos e túmulos, enquanto os parentes aguardavam uma eventual compra definitiva. Parte do mercado alternativo também se encontra hoje nos cemitérios on-line, com sepulturas virtuais, que contornam as dificuldades econômicas e práticas da vida, além de serem ecologicamente mais corretos. Nesses casos, o cerimonial aos mortos é totalmente virtual.

No Qingming data nacional primeiramente recusada quando da fundação da República Popular em 1949, mas reincorporada em 2008, como forma de resistência cultural à globalização , famílias inteiras se deslocam para os cemitérios, mesmo aqueles isolados no interior do país. Vão conversar com seus mortos e ofertar-lhes presentes, que serão incinerados como uma forma de servir e prover do necessário quem já não está entre nós.

A maneira de simbolizar a parte material com que um parente deseja prover seu antepassado falecido é através de réplicas de objetos úteis ao morto, geralmente feitas de papel. Incinerá-las é uma forma alegórica de enviar esses objetos para o mundo dos mortos, a fim de que os finados usufruam deles.

Visitados por multidões munidas de presentes, comida, flores, incenso e “dinheiro do além” – igual ao da mercearia oriental do centro de São Paulo –, alguns cemitérios possuem incineradores para atender a grande quantidade de pessoas interessadas em queimar objetos para homenagear seus entes queridos.

Antes de visitar o túmulo, os parentes devem estar devidamente asseados. Eles se curvam diante da sepultura em sinal de respeito, conversam com o morto e o presenteiam. Reunida em torno do túmulo, a família faz uma refeição, para demonstrar que não esqueceu os que partiram. Incensos espetados em tigelas de arroz são oferecidos aos mortos. O festival Qingming é claramente também uma oportunidade para a reunião dos parentes, feita em torno de um cerimonial milenar compartilhado.

Incinerando rituais

Entre os presentes para dar mais conforto aos falecidos no outro mundo, estão roupas, imitação de dinheiro e réplicas em papel de tudo o que os parentes acham que o defunto pode precisar no além. Barras de ouro, miniaturas simbolizando crianças, empregados ou animais de estimação, maquetes retratando uma casa confortável, cópias de passagens de avião, de eletrodomésticos, de automóveis ou de cigarros, um lauto jantar, bebidas e todo tipo de coisa que possa representar um sonho realizado ou uma vida próspera no mundo dos mortos podem ser ofertados. Não impressiona que réplicas em papel de produtos de marca, como bolsas Gucci e Louis Vuitton, bem como tablets da Apple, estejam entre os objetos queimados na ocasião.

As famílias também atiram papéis coloridos para o ar, clamando por bênçãos. Algumas pessoas plantam uma árvore, outras empinam pipas, inclusive à noite, quando, com lanternas atadas, compõem uma bonita paisagem, lembrando estrelas: são chamadas de “lanternas divinas”.

Quando um parente responsável pelas homenagens não pode fazê-las – o que tem se tornado mais comum, principalmente devido à imigração ou à vida corrida das grandes cidades -, outro familiar assume os rituais.

Existem até serviços terceirizados que podem ser contratados, caso familiares ou conhecidos do morto não possam honrá-lo no Qingming. Nesses casos, se for do desejo do contratante, o contratado pode ainda usar a tecnologia para tirar fotos do túmulo, já enfeitado com as oferendas, fazer vídeos e completar uma ligação telefônica para que o contratante “fale à distância com seu ente falecido”, em tempo real, à beira da sepultura.

Tudo devidamente remunerado. Em dinheiro vivo, deste mundo.

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